A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma doença hereditária caracterizada por níveis elevados de C-LDL, aterosclerose prematura e aumento precoce da morbilidade e mortalidade cardiovascular. Constitui uma das doenças hereditárias mais prevalentes (cerca de 1:250 na maioria das populações) e foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde mundial.
A HF é responsável por aproximadamente 9% dos enfartes do miocárdio em indivíduos com menos de 65 anos e até 20% dos enfartes em indivíduos com menos de 45 anos. Um diagnóstico precoce e o início de terapêuticas eficazes para a redução do C-LDL podem atrasar significativamente o aparecimento de eventos cardiovasculares e até normalizar a esperança de vida.
Trata-se de uma doença de base genética que pode ser causada por uma mutação pontual num único gene (HF monogénica), resultando numa depuração deficiente do C-LDL da circulação, ou pode dever-se à soma dos efeitos de vários polimorfismos (HF poligénica), em que cada um contribui para um aumento discreto do C-LDL. Entre 20% e 40% dos pacientes com diagnóstico clínico definido de HF não apresentam uma mutação causal nos genes clássicos candidatos associados à HF. Nestes indivíduos, a hipercolesterolemia pode ter uma origem poligénica, ambiental ou monogénica ainda desconhecida. Estima-se que, em mais de 80% dos pacientes com diagnóstico genético negativo, a explicação poligénica seja a causa mais provável da hipercolesterolemia. Para maior complexidade, as causas poligénicas e monogénicas da HF não são entidades mutuamente exclusivas, mas interagem entre si, podendo existir uma contribuição poligénica mesmo em pacientes com HF monogénica.
Os nossos painéis estão alinhados com as recomendações mais atuais de organizações internacionais, com as diretrizes de grupos de trabalho especializados e com documentos de consenso de peritos nacionais e internacionais, incluindo: European Society of Cardiology (ESC), European Atherosclerosis Society (EAS), Painel de Peritos em HF do Journal of the American College of Cardiology (JACC), National Lipid Association (NLA), Sociedad Española de Arteriosclerosis (SEA), American Heart Association (AHA), painéis de peritos do ClinGen, International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD), Organização Mundial da Saúde (WHO), Food and Drug Administration (FDA), National Institute for Health and Care Excellence (NICE), Food and Drug Administration (FDA).
Caracterizar o componente genético de uma HF é de grande importância, uma vez que o seu prognóstico e, consequentemente, a abordagem clínica do paciente podem ser substancialmente diferentes dos das hipercolesterolemias determinadas por causas não genéticas. É igualmente relevante determinar se a HF tem uma etiologia monogénica ou poligénica, uma vez que o risco cardiovascular difere entre ambos os grupos. Esta informação tem implicações importantes na abordagem do paciente e da família.
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