A amiloidose é um termo genérico que se refere a um grupo de doenças caracterizadas pelo depósito extracelular de material amiloide em diferentes órgãos, quer de forma isolada quer generalizada. As manifestações clínicas dependem do órgão afetado e da quantidade de amiloide depositada. A prevalência da amiloidose cardíaca tem aumentado nos últimos anos, sobretudo devido à melhoria das técnicas e dos algoritmos diagnósticos da doença. A forma mais frequente de cardiomiopatia amiloidótica é a não hereditária (senil ou por transtirretina selvagem). A única técnica diagnóstica que permite diferenciá-la da forma hereditária (transtirretina mutada) é o estudo genético, o qual é amplamente recomendado neste contexto clínico.
A amiloidose familiar é muito pouco frequente a nível mundial; no entanto, existem descrições de alguns focos endémicos, como Portugal, Suécia, Brasil, Japão e duas regiões espanholas: Maiorca e Huelva.
O depósito de amiloide a nível cardíaco é frequente, podendo constituir a primeira manifestação da doença. A forma de apresentação é habitualmente a de hipertrofia ventricular esquerda, pelo que estes pacientes podem ser inicialmente diagnosticados como portadores de miocardiopatia hipertrófica.
Existe uma miocardiopatia amiloide familiar causada por variantes genéticas no gene da transtirretina (TTR), com um padrão de hereditariedade autossómico dominante. Neste gene, foram descritas mais de 120 variantes genéticas associadas a diferentes fenótipos, incluindo formas neuropáticas, cardíacas, renais e oculares.
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