A doença de Alzheimer (DA) é o tipo mais comum de demência neurodegenerativa primária (60–80% dos casos). Aproximadamente 25% dos pacientes com DA têm dois ou mais familiares afetados. No entanto, apenas em alguns casos existem variantes genéticas que são determinantes para o desenvolvimento da doença. Estas variantes determinantes foram descritas em três genes associados à doença de Alzheimer com hereditariedade autossómica dominante: PSEN1 (30–70%), PSEN2 (<5%) e APP (10–15%) (Loy et al., 2014). Nas formas monogénicas de DA, o início da doença ocorre geralmente de forma precoce (<65 anos).
Adicionalmente, foram descritas variantes que constituem fatores de risco para a DA, mas cuja presença não é necessária nem suficiente para o desenvolvimento da doença. Entre estes fatores, destaca-se o alelo Ɛ4 do gene APOE, que constitui um fator de risco para a DA (OR = 2–3 em heterozigotia e OR = 14,9 em homozigotia; Farrer et al., 1997). Assim, embora o genótipo APOE possa ter utilidade clínica como apoio ao diagnóstico no contexto de outros dados sugestivos de DA, particularmente nas formas de início tardio (>65 anos), a sua utilização não está, de um modo geral, indicada em indivíduos assintomáticos. Importa ainda referir que a informação relativa ao genótipo APOE pode ser útil para a abordagem terapêutica do paciente, uma vez que o fármaco lecanemab (nome comercial Leqembi) está indicado para pacientes com nenhuma ou apenas uma cópia do alelo Ɛ4. As variantes p.Arg47His e p.Arg62His no gene TREM2 (Guerreiro et al., 2013; Sims et al., 2017) estão igualmente bem estabelecidas como fatores de risco para a DA.