As leucodistrofias hipomielinizantes constituem um grupo de perturbações do neurodesenvolvimento nas quais ocorre um défice permanente da quantidade de mielina no sistema nervoso central, quer devido a formação anómala da mielina, quer a alterações na diferenciação ou migração dos oligodendrócitos. De um modo geral, este grupo de doenças caracteriza-se clinicamente por atraso do desenvolvimento, hipotonia, ataxia, espasticidade e deficiência intelectual de grau variável. Do ponto de vista radiológico, a hipomielinização caracteriza-se por hiperintensidade difusa em imagens em T2/FLAIR e, frequentemente, aparenta afetar a substância branca de forma uniforme. Por outro lado, ao contrário das doenças desmielinizantes, nas quais o sinal na sequência T1 é hipointenso, as alterações nesta sequência podem ser isointensas ou ligeiramente hipointensas ou hiperintensas. Este padrão pode passar despercebido se não forem analisadas várias sequências consecutivas; assim, deve ser confirmado em pelo menos 2 exames de imagem realizados com um intervalo mínimo de 6 meses, em pacientes com mais de 1 ano de idade.
Entre as doenças mais frequentes encontra-se a doença de Pelizaeus-Merzbacher (PMD), causada por variantes patogénicas no gene PLP1, bem como um conjunto de doenças com características clínicas e radiológicas semelhantes, designadas por doenças do tipo PMD (PMDL), resultantes de defeitos nos genes GJC2, AIMP1 ou HSPD. Entre as restantes doenças hipomielinizantes destacam-se as perturbações associadas à Pol-III, a síndrome de Cockayne, a tricotiodistrofia com fotossensibilidade (ou síndrome de Tay), a hipomielinização com atrofia dos gânglios da base e do cerebelo, ou a hipomielinização com catarata congénita.