A amaurose congénita de Leber (LCA, Leber congenital amaurosis) consiste num espectro de doenças hereditárias da retina. O fenótipo varia desde uma deficiência visual grave aquando do nascimento ou nos primeiros meses de vida (incluindo movimentos oculares erráticos ou nistagmo, fraca resposta pupilar à luz, sinais oculodigitais e um eletrorretinograma (ERG) de campo total gravemente anómalo) até formas mais ligeiras de incapacidade visual, com início mais tardio. O fundo do olho pode ser normal ao início, mas a doença associa-se a diferentes anomalias retinianas como retinopatia pigmentar, depósitos esbranquiçados ao nível do epitélio pigmentar da retina, atenuação vascular ou pseudopapiledema e atrofia macular.
Trata-se de uma doença cujas manifestações se limitam ao olho, pelo que os sinais e sintomas oculares se apresentam de forma isolada. Quando se associam outros dados sistémicos, utiliza-se uma nomenclatura diferente de LCA para designar a doença, ainda que o gene responsável seja o mesmo.
A LCA é responsável por aproximadamente 20% dos casos de cegueira na infância, representa cerca de 5% dos casos de distrofias hereditárias da retina e apresenta uma prevalência estimada entre 1/30 000 e 1/80 000 a nível global.
A caracterização molecular é de grande importância neste contexto, uma vez que permite confirmar o diagnóstico, fornecer informação prognóstica, conhecida para determinados genes e/ou variantes, bem como selecionar pacientes para novas terapêuticas baseadas em terapêutica génica.
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