A doença de Fabry (ou de Anderson-Fabry) deve-se à ausência parcial ou completa da atividade da enzima alfa-galactosidase A, responsável pela degradação da globotriosilceramida (GL-3 ou GB3). Ao não ser possível eliminar esta substância lipídica, esta vai-se acumulando, provocando um mau funcionamento dos locais onde se deposita. As células mais frequentemente afetadas encontram-se nos vasos sanguíneos e nos tecidos do coração, rim, fígado, pele e cérebro. É herdada segundo um padrão ligado ao cromossoma X, pelo que afeta mais frequentemente os homens do que as mulheres (estas também podem ser afetadas, embora geralmente de forma mais tardia e ligeira).
Devido ao facto de a doença de Fabry ser pouco comum e causar uma ampla gama de sintomas, pode ser confundida com outras doenças. Por conseguinte, os pacientes podem passar longos períodos de tempo sem um diagnóstico correto. A principal forma de envolvimento cardíaco é a hipertrofia ventricular esquerda. Muitos destes pacientes são referenciados para as consultas médicas com o diagnóstico de miocardiopatia hipertrófica (de facto, estima-se que a doença de Fabry possa ser a causa de entre 0,5–1% dos casos de miocardiopatia hipertrófica, representando uma fenocópia desta doença).
O diagnóstico precoce da doença de Fabry é fundamental, uma vez que hoje em dia dispomos de tratamento específico: a administração endovenosa da enzima em défice.
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