A distonia caracteriza-se por contrações musculares sustentadas ou intermitentes que originam posturas e movimentos anómalos, frequentemente repetitivos. Os sintomas de distonia podem começar precocemente na infância e estender-se até à idade adulta tardia, afetando uma única região do corpo (focal), várias regiões (multifocal, segmentar) ou múltiplos territórios (generalizada). Habitualmente, este último grupo de distonias generalizadas corresponde a doenças progressivas e incapacitantes, com início na adolescência e base genética conhecida. O grupo das distonias focais primárias ocorre quase sempre em adultos e envolve, com maior frequência, o pescoço, a face ou os membros superiores, estando associado a um menor número de genes conhecidos; ainda assim, até 25% dos casos apresentam antecedentes familiares positivos (Steeves et al., 2012). Importa salientar que as distonias constituem um grupo de doenças com marcada heterogeneidade fenotípica e genotípica, frequentemente com penetrância incompleta, mesmo no seio da mesma família (Albanese et al., 2013).
A prevalência estimada é de cerca de 16:100 000 indivíduos (Steeves et al., 2012).
Embora existam numerosos fatores de risco identificados através de estudos de associação, a abordagem diagnóstico-genética está orientada para a obtenção de diagnósticos com aplicabilidade clínica direta para o paciente.
Para esse efeito, foram definidos quatro grupos fenotípicos:
- Distonia isolada (primária, focal ou generalizada, como sintoma principal): painel básico de 8 genes, com particular relevância para TOR1A (DYT1), THAP1 (DYT6) e GNAL (DYT25, distonia crânio-cervical do adulto).
- Distonia mioclónica: painel específico de 2 genes, incluindo SGCE ou DYT11, com um rendimento diagnóstico até 50% nos casos familiares, e o gene mais recentemente descrito KCTD17.
- Distonia-parkinsonismo: inclui, entre outros, os genes associados à distonia dopa-sensível ou à doença de Segawa.
- Distonia paroxística em combinação com outra discinesia, abrangendo os genes PNKD, PRRT2, SLC2A1 e ECHS1.
Todos estes fenótipos estão integrados num painel geral para o estudo da distonia, indicado para uma abordagem etiológica mais abrangente e para casos clinicamente complexos.